David Alan Harvey, um fotógrafo de mil e uma utilidades
Meu contato com David Alan Harvey foi uma rica experiência de vida, em um momento em que me encontrava particularmente aberto a novas possibilidades neste mundinho da fotografia.
Para começar, seu aparente desprendimento do vil metal e seu amor por diversas atividades paralelas ao ato de fotografar foi um lembrete pessoal do motivo pelo qual algumas pessoas ingressam na fotografia.
David parece ter rompido com aquele mundo apertado que grande parte dos fotógrafos vivem, onde o objetivo é produzir imagens e largá-las pelo mundo, como órfãs. Ele tem uma dose tão grande de respeito por suas imagens que resolveu levá-las através de toda a cadeia da produção cultural do mundo ocidental. Ou seja, resolveu publicar seus próprios livros. Isto é realmente um ato de amor pelo próprio trabalho.
Além disso, David parece não ter medo ou vergonha de falar, discorrer, analisar seu trabalho. Como um autêntico contador de histórias. Somos capazes de ouvi-lo falar por horas e horas, sem nenhum sinal de cansaço. Também aqui reside o contraste com muitos outros fotógrafos, que são ótimos para produzir imagens mas que consideram o discurso sobre a imagem algo vergonhoso.
Sua participação como espectador e produtor de conteúdo nos momentos críticos da contemporaneidade me leva a pensar em um têrmo: meta-repórter. Sim, David vai além da reportagem: Seu trabalho traz ambos, momento e poesia visual, a um ponto comum. Sem um deles prejudicar o outro. O livro sobre o Hip-Hop (Living Proof), é um exemplo contundente desta transformação do mundano em um caminho antropológico para as futuras gerações.
Como é difícil ser contemporâneo, poeta e pensador ao mesmo tempo! Mas para David tal dificuldade, se existe, não se deixa transparecer.
Bom, chega de elogios. Na verdade não são exatamente rasgação de seda, mas apenas a expressão do que eu realmente achei no meu minúsculo contato com esta grande figura.
Não deixe de dar uma passada em seu blog. E de ler a entrevista que fiz com ele.

