O que o fotógrafo e o samurai têm em comum?
Duas questões, no momento, me parecem fundamentais na prática fotográfica. Uma delas é a questão da simplicidade, ou wabi
(que já abordei em outro post). A outra é a comparação com outras filosofias e modos de interpretar a realidade.
Sempre trago na mente, como referência, o modo de vida dos samurais. E devido à minha ignorância em relação a estes, aliado ao fato de que japonês, para mim, é como se fosse um dialeto alienígena (que um dia ainda aprenderei os rudimentos se convencer algum
amigo nele fluente a me ensinar), procuro devorar o que existir de literatura (em inglês ou português) a respeito. Acabei de ler os 2 volumes do épico
Musashi, de Eiji Yoshikawa. São quase 2 mil páginas, que li ininterruptamente nos últimos dias.
Ao final da leitura, cheguei à conclusão que o ato de fotografar está intimamente relacionado ao treinamento físico e mental por que passa um samurai. Além disso, percebi que a câmera, assim como a espada, é feita para cortar e perfurar.
No caso da câmera, o que estamos cortando é uma fatia do mundo físico. Precisamos ser tão precisos no corte com a câmera quanto um samurai o é com a espada.
Então percebi que, se pensarmos a fotografia apenas como um processo mental, esquecemos de algo fundamental: Que é necessário preparar o corpo para sintonizar com a mente. Daí a pensar em desenvolver um método para desenvolver o instinto de fotógrafo, unindo corpo e mente, foi um passo.
Então escrevi as 10 dicas. Estão
aqui.
Espero transformá-las em um workshop em breve.
Por enquanto, vou continuar meditando sobre as relações tão inesperadas que surgem entre a fotografia e outras formas de saber...