Com quantos pixels se faz uma boa foto?

Vivemos em uma sistema econômico e social que nos passa a ilusão, o tempo todo, de que tudo poder ser mesurado. E se tudo pode ser mesurado, a lógica deste mesmo sistema nos faz pensar, quase que subliminarmente, que quanto maior melhor. Basta olharmos as promoções das redes de fast-food à nossa volta...

Na fotografia, obviamente, não poderia deixar de ser assim. Todo o marketing dos fabricantes de câmeras digitais se baseia na quantidade de megapixels do equipamento. E as pessoas acabam por adquirir seus equipamentos não por causa de características que possam produzir melhores imagens, mas seduzidas pela quantidade de pontos eletrônicos disponíveis.

Sempre combati o mito dos megapixels, mas sempre achei que, ao falar que tamanho não é documento, as pessoas me olhavam de forma estranha. Mesmo porque parecia meio paradoxal: Pois sou um profissional que utiliza, desde 95, equipamentos com dezenas de megapixels.

Mas é importante separar as necessidades de um mercado específico como o meu daquelas do dia-a-dia das pessoas. E é sob este contexto que eu escrevo neste momento: Falo das câmeras compactas, milagres tecnológicos à nossa disposição neste exato momento.

Na verdade, não vou escrever mais nada, pois existe alguém mais apto para falar sobre câmeras compactas e megapixels. Chamo à cena meu amigo Mário Amaya, atual editor da revista Photoshop Creative, companheiro de várias jornadas, há anos atrás, em que parecíamos 2 alienígenas dizendo à humanidade que um dia todos teriam uma digital... Enquanto eu fiquei nos backs digitais, o Mário se esmerou em ficar amigo das câmeras compactas (muito mais divertidas, em minha opinião).

O Mário escreveu um texto bem bacana sobre o assunto (e ao mesmo tempo fácil de entender, mesmo que você não seja um físico nuclear) . Pedi a ele para reproduzí-lo aqui, na íntegra:

Entra ano, sai ano, e os sensores das câmeras digitais ganham mais alguns pixels. Agora é a hora da primeira geração a romper a barreira psicológica e mercadológica dos 10 megapixels. E uma ou outra câmera finalmente se atreve a peitar as camcorders com capacidades de vídeo vitaminadas (em alta definição, ou HD). Qual delas combina mais com você? Você está prestes a descobrir. Mas antes de ler os testes, é bom ter algumas noções importantes. Dez megapixels é resolução suficiente para preencher uma ampliação de 32 por 24 centímetros, com a mesma nitidez de uma capa de revista de arte. Mas a imagem gerada pela objetiva, em qualquer modelo de compacta, dificilmente contém detalhe suficiente para aproveitar todo esse potencial, ao contrário do que ocorre numa SLR (reflex) profissional. Conscientes dessa barreira tecnológica, as empresas fotográficas apostam cada vez mais em diferenciais nos recursos, como os novos modos de captura totalmente automáticos e funções de retoque e panorama. Além das diferenças na óptica, as variações de preço contribuem para a distinção entre as câmeras que testamos. De um lado temos as básicas e baratas (Nikon e Kodak), do outro as chiques e caras (Canon e Fujifilm). A Samsung representa um meio termo. Correndo por fora, numa categoria à parte, está a Panasonic, com sua câmera que lembra bem mais as da prestigiosa parceira Leica do que as da concorrênciaimediata, liderada pelos modelos "superzoom" da Canon e da Sony.Na função de vídeo, a Canon mata todas as outras com seu excelente Full HD. No que toca à qualidade pura de imagem, a Panasonic é a campeã, mesmo produzindo menos pixels que a Canon.

Panasonic Lumix 
DMC-ZS1

PanasonicA Panasonic inventou a categoria das câmeras compactas com lentes zoom seriamente turbinadas, com zoom de 12x, como o que equipa este modelo. De visual sério, tradicionalista e industrial como todas as Lumix compactas, a ZS1 até cabe no bolso, mas no limite do conforto. O LCD é saliente e o botão seletor é macio, podendo sair da posição facilmente. Em compensação, a objetiva é uma estupenda Leica que vai de grande-angular (equivalente a 25 mm) até teleobjetiva (300 mm) em menos de dois segundos, e ainda é estabilizada e sem distorção. No modo macro, dá até para encostar a lente no objeto! O problema de ruído de sensor das Lumix anteriores foi atenuado. A capacidade devídeo é apenas suficiente para registros básicos. Com sua extrema versatilidade óptica, é perfeita para quem deseja aprender e praticar fotografia de alto nível com uma compacta.

Nikon Coolpix S225

CoolpixEsta Nikon é a menor de todas as compactas do teste, com as dimensões de um cartão de crédito e a mesma finura das Sony Série T. É leve como uma pluma, mas o corpo é todo de metal. Despretensiosa, seu recurso mais avançado é a detecção de rosto múltipla, e a estabilização de imagem é digital e não óptica. O software interno é o mesmo da geração anterior – funcional e completo, mas bem longe do charme da Canon, por exemplo. O vídeo é apenas VGA (640x480 pixels). O modo contínuo (burst) dá uma pausa considerável após tirar sete fotos, exigindo cuidado em seu uso, e não funciona quando a função de correção de distorção da lente está ativada. Mas o ruído visível em ISO alto (800 e 1600) é surpreendentemente baixo. Em resumo, uma câmera simples, barata e de boa procedência, para levar sempre no bolso.

Canon PowerShot SD960 IS

PowerShotA Canon inventou o conceito da câmera digital compacta moderna, com ahistórica série IXUS/ELPH. Como as outras marcas já assimilaram o conceito, ela busca destacar-se dos imitadores com inovações no formato físico —  a SD960 lembra um celular — e na rodinha de controle "estilo iPod", presente também nos modelos profissionais da Canon. Combinada a rodinha aos elegantes menus, o resultado é a interface mais refinada dentre todas as câmeras do teste. E nem precisava: Ela foi feita para usar sempre no automático, sem preocupações com ajustes manuais. A sua impressionante velocidade ao atender aos comandos é outra boa surpresa. Para finalizar, é uma das poucas que gravam vídeo em 720p. Não é à toa que a Canon fala em "gratificação imediata". Pode custar mais que outras da categoria, mas a diferença é justa.

Samsung PL50

PL50A aparência conservadora desta Samsung pode enganar os desavisados.Esta câmera é repleta de recursos. Embora os puristas torçam o nariz, nós acreditamos que, no contexto da foto casual, tudo que a câmera puder fazer para ajudar é bem-vindo. Além do modo Full Auto e da detecção facial que já equipa todas as compactas, ela traz funções especiais para repetir um enquadramento prévio e também o notável Beauty Shot, que detecta as áreas de pele num retrato e as "alisa" automaticamente. É como um pedacinho do Photoshop trazido para dentro da câmera. Só que o processamento da foto exige esperar alguns segundos. A função Smart Album ajuda a achar as fotos por data, tema e cor predominante. Há ainda um modo de Guia de Ajuda de Foto, um ótimo guia interativo com instruções em português para novatos. O vídeo é VGA.

Kodak EasyShare M340

EasyShareO corpo da M340 é fino e leve. A disposição dos controles é à prova de enganos. Quatro botões de funções ficam alinhados ao LCD, que tem uma qualidade fora do normal. Há um pequenino botão “Share” na face traseira. Ele aciona funções de organização que são integradas ao ótimo aplicativo EasyShare, um programa similar ao iPhoto. A câmera é muito despojada; claramente foi projetada para não dar trabalho algum ao seu dono. A função de destaque é o modo guiado de panorama, que"costura" até três fotos na própria câmera. Só não dá para recomendá-la para captura de vídeo, pois o motor de foco da lente gera um ruído claramente audível na gravação. Um bom exemplo que deveria ser seguido pelas outras marcas é a possibilidade de recarregar a bateria a partir do seu Mac, através do cabo USB.

Fujifilm FinePix Z30

FinePixEsta câmera, apelidada “Sleek & Curvy”, é a mais fashion do grupo, com sua estilização que lembra as antigas Olympus Stylus. O chique contorno arredondado emoldura a portinha frontal de correr e a objetiva embutida, que não sai do corpo como nas outras. Essa construção resulta numa velocidade impressionante para ligar a câmera.Ela é ridiculamente fácil de carregar no bolso. Os recursos para facilitar a foto amadora estão presentes, com destaque para o GroupTimer e o Couple Timer, que só tiram a foto de um grupo ou casal quando os rostos estão dentro do enquadramento. O único ponto polêmico são os controles traseiros. Feitos de silicone, eles estão organizados em duas fileiras e não no habitual círculo, o que requer um pouco de treino. O vídeo é VGA. O conector USB fica protegido dentro do compartimento da bateria.

Site do Mário: marioav.nadamelhor.com
Revista Photoshop Creative: photoshopcreative.com.br
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